Venho
me
perguntando
o
que
faz
as
pessoas
optarem
pelo
casamento
se
contam
com
alternativas
para
a
vida
a
dois.
A
justificativa
mais
comum
para
o
casamento
é
o
amor.
Mas
devemos
considerar
que
o
amor
é
uma
experiência
cuja
definição
está
em
xeque
não
apenas
pela
quantidade
enorme
de
casais
que
"já
não
se
amam
mais",
como
também
pelo
número
de
pessoas
que
se
amam,
mas
não
conseguem
viver
juntas.
Talvez
por
estas
duas
razões
--
o
amor
eterno
enquanto
dura
e
o
amor
incompetente
para
a
convivência
--
nossa
sociedade
providenciou
uma
alternativa
para
suprir
a
necessidade
afetiva
das
pessoas:
relacionamentos
temporários
em
detrimento
do
modelo
indissolúvel.
Mas,
mesmo
assim,
o
número
de
pessoas
que
optam
pelo
casamento
em
sua
forma
tradicional,
do
tipo
"até
que
a
morte
vos
separe",
cresce
a
cada
dia.
Acredito
que
existe
uma
peça
do
quebra-cabeça
que
pode
dar
sentido
ao
quadro.
Trata-se
da
urgente
necessidade
de
desmistificar
este
conceito
de
amor
que
serve
de
base
para
a
vida
a
dois.
Afinal
de
contas,
o
que
é
o
amor
conjugal?
Para
muitas
pessoas,
o
amor
conjugal
é
confundido
com
a
paixão.
Paixão
é
aquela
sensação
arrebatadora
que
nos
faz
girar
por
algum
tempo
ao
redor
de
uma
pessoa
como
se
ela
fosse
o
centro
do
universo
e
a
única
razão
pela
qual
vale
a
pena
viver.
Esta
paixão
geralmente
vem
acompanhada
de
uma
atração
quase
irresistível
para
o
sexo,
e
não
raras
vezes
se
confunde
com
ela.
Assim,
palavras
como
amor,
paixão
e
tesão
acabam
se
fundindo
e
tornando-se
quase
sinônimas.
Este
conceito
de
amor
justifica
afirmações
do
tipo:
"sem
amor
nenhum
casamento
sobrevive",
"sem
paixão,
nenhum
relacionamento
vale
a
pena",
"é
o
sexo
apaixonado
que
dá
o
tempero
para
o
casamento".
Minha
impressão
é
que
todas
estas
são
premissas
absolutamente
irreais
e
falsas.
Deus
justificou
a
vida
entre
homem
e
mulher
afirmando
que
não
é
bom
estar
só.
Nesse
sentido,
casamento
tem
muito
pouco
a
ver
com
paixão
arrebatadora
e
sexo
alucinante.
Casamento
tem
a
ver
com
parceria,
amizade,
companheirismo,
e
não
com
experiências
de
êxtase.
Casamento
tem
a
ver
com
um
lugar
para
voltar
ao
final
do
dia,
uma
mesa
posta
para
a
comunhão,
um
ombro
na
tribulação,
uma
força
no
dia
da
adversidade,
um
encorajamento
no
caminho
das
dificuldades,
um
colo
para
descansar,
um
alguém
com
celebrar
a
vida,
a
alegria
e
as
vitórias
do
dia-a-dia.
Casamento
tem
a
ver
com
a
certeza
da
presença
no
dia
do
fracasso
e
a
mão
estendida
na
noite
de
fraqueza
e
necessidade.
Casamento
tem
a
ver
com
ânimo,
esperança,
estímulo,
valorização,
dedicação
desinteressada,
solidariedade,
soma
de
forças
para
construir
um
futuro
satisfatório.
Casamento
tem
a
ver
com
a
certeza
de
que
existe
alguém
com
quem
podemos
contar
apesar
de
tudo
e
todos.
A
certeza
de
que,
na
pior
das
hipóteses
e
quaisquer
que
sejam
as
peças
que
a
vida
possa
nos
pregar,
sempre
teremos
alguém
ao
lado.
Nesse
sentido,
não
é
certo
dizer
que
sem
amor
nenhum
casamento
sobrevive,
mas
sim
que
sem
casamento
nenhum
amor
sobrevive.
Não
é
certo
dizer
que
sem
paixão,
nenhum
relacionamento
vale
a
pena,
mas
sim
que
sem
relacionamento
nenhuma
paixão
vale
a
pena.
Não
é
o
sexo
apaixonado
que
dá
o
tempero
para
a
vida
a
dois,
mas
a
vida
a
dois
que
dá
o
tempero
para
o
sexo
apaixonado.
Uma
coisa
é
transar
com
um
corpo,
outra
é
transar
com
uma
pessoa.
Quão
mais
valiosa
a
pessoa,
mais
prazeroso
e
intenso
o
sexo.
Quão
menos
valorizada
a
pessoa,
mais
banal
a
transa.
Assim,
creio
que
podemos
resumir
a
vida
a
dois,
entre
homem
e
mulher,
idealizada
por
Deus,
em
três
palavras
que
descrevem
um
casal
bem-sucedido:
Um
casal
bem-sucedido
é
um
par
de
amantes.
Um
casal
bem-sucedido
é
um
par
de
amigos.
Um
casal
bem-sucedido
é
um
par
de
aliados.
São
três
letras
A
que
fornecem
a
base
de
uma
relação
duradoura.
Amante
se
escreve
com
A.
Amigo
se
escreve
com
A.
Aliado
se
escreve
com
A.
E
não
creio
ser
mera
coincidência
o
fato
de
que
todas
as
três,
amante,
amigo
e
aliado,
se
escrevem
com
A...
A
de
amor.
...........
o
Ed
René
Kivitz
é
teólogo,
com
mestrado
em
Ciências
da
Religião
pela
Universidade
Metodista
de
São
Paulo,
e
pastor
presidente
da
Igreja
Batista
de
Água
Branca,
SP.
É
também
palestrante
e
escritor,
e
dentre
suas
obras
mais
conhecidas
estão
"Vivendo
com
propósitos"
e
"Outra
Espiritualidade",
ambas
publicados
pela
Editora
Mundo
Cristão.